Sempre achei que ia ser mãe. Era o meu sonho, a minha certeza. Comecei tarde, mas cheia de esperança. Fiz dois tratamentos de fertilidade, um até com dador. Vendi coisas minhas, pedi ajuda, acreditei com o corpo e com o coração.
Não resultou. Ninguém fala do vazio que fica depois: das caixas de testes, dos nomes escolhidos e nunca usados, da vergonha de dizer "desisti". Hoje já não tento. Não porque não queira, mas porque já não aguento doer mais. Há dias em que odeio o meu corpo. Depois peço-lhe desculpa. Ele fez o que pôde. Eu é que ainda não consigo perdoar.